setembro 25, 2007

ao meu amor, que dorme

nesta noite de poucas estrelas
me apaixonei
por teus olhos
e agora já não sei
como perdê-los de vista

(...)

a noite - enorme
tudo dorme
menos teu nome

paulo leminsk

................................................

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

pablo neruda

Nenhum comentário: